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Candidatos vão prometer mais policiamento. Os dados pedem iluminação, presença e confiança.

FBSP e Datafolha mapearam o medo do crime em pré-campanha. Rodar SEM nos microdados da PNAD 2021 chegou à mesma conclusão: confiança institucional e iluminação aparecem antes do policiamento.

Semana passada o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) divulgou a pesquisa "Medo do crime e eleições 2026: os gatilhos da insegurança" em parceria com o Datafolha.

A pesquisa chega num momento de pré-campanha eleitoral. Segurança pública é, em grande parte, responsabilidade estadual (os estados concentram mais de 80% do investimento na área). Entretanto, o tema também pesa na disputa presidencial, especialmente no combate a crimes interestaduais.

Enquanto o estudo chama atenção sobre as crescentes taxas de feminicídio, a presença do crime organizado no dia a dia e o constante medo de crimes patrimoniais, seja de estelionato cibernético ou roubo de celulares, sabemos que há muito mais que isso na construção da percepção de segurança.

Essa percepção é construída por várias camadas. Existe a camada tangível (número de homicídios, adoção de recursos de segurança, etc.), onde a maioria das ações são feitas; porém grande parte das vezes as outras camadas, relacionadas a percepções, sentimentos e relações sociais, são negligenciadas.

Isso ficou evidente ao rodar um modelo de equações estruturais (SEM) com os microdados do módulo de segurança da PNAD Contínua de 2021, disponíveis no site do IBGE. Três variáveis dependentes em questão: percepção de segurança geral, durante o dia e durante a noite (Q6, Q7-Dia, Q7-Noite, respectivamente).

Diagrama do modelo de equações estruturais (SEM) com construtos exógenos, mediadores Q6 e Q7-Dia e variável dependente Q7-Noite, mostrando coeficientes β positivos e negativos entre as variáveis.
Grafo do modelo SEM gerado: a espessura das setas é proporcional à influência, positiva (verde) ou negativamente (vermelha).

Ao tentar explicar a percepção de segurança de uma pessoa ao andar sozinha nas vizinhanças de casa à noite (métrica oficial da ONU, de acordo com o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 16), vemos que realmente há coisas que não podemos mexer (aspectos demográficos, presença de crimes na vizinhança e experiências de vitimização passadas) que impactam negativamente a percepção de segurança, direta ou indiretamente (via medo de vitimização e mudanças de comportamento para evitar vitimização).

O que o modelo mostra além disso é que a presença de um ambiente de "desordem" também tem impacto negativo (relacionado à teoria das janelas quebradas) e a presença de melhores aparelhos públicos (por exemplo, boa iluminação) tem impacto positivo na percepção de segurança.

Outro aspecto importante que impacta positivamente é a confiança nas instituições e na comunidade, cujas ações são frequentemente ignoradas nos planos de segurança pública.

Isso confirma a conclusão do estudo do FBSP de que "a solução não é o enfrentamento violento em territórios vulneráveis, mas inteligência, coordenação federativa, investigação e controle de fluxos financeiros e presença estatal contínua nos bairros mais vulneráveis de cidades de todos os portes".

Resta ver se as propostas dos candidatos em 2026 vão incorporar essas evidências ou se o discurso de "mais repressão" vai voltar a dominar o debate.

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